Blog do Victão

“Vergonha! O que eu estou assistindo agora na televisão é uma vergonha!” Parabéns, Conmebol!

Estádio Romelio Martínez, em Barranquilla, na Colômbia (Pedro Souza/Atlético)

“Vergonha! O que eu estou assistindo agora na televisão é uma vergonha!”

Tuítou Alexandre Kalil, em 2010, durante uma partida entre Cruzeiro e Ipatinga, pela semifinal do Campeonato Mineiro.

Mais de uma década depois eu pego as palavras do ex-presidente do Atlético e atual prefeito de Belo Horizonte.

Vergonha! O que eu estou assistindo agora na televisão é uma vergonha!

É a melhor maneira que encontrei para descrever o que foi o primeiro tempo de América de Cáli x Atlético, pela quarta rodada do Grupo H, da Copa Libertadores. A vergonha não é o acontece no lado de fora do estádio. Muito pelo contrário. A população colombiana tem seus motivos para a insatisfação e tem todo o direito de protestar.

Vergonha é a Conmebol marcar uma partida do seu principal torneio para uma cidade que uma semana antes não tinha condições de receber o duelo entre Junior x Fluminense, transferido para o Equador.

Vergonha é empurrar uma partida de futebol goela abaixo. O futebol não está acima de tudo. Tem seus compromissos comerciais, o calendário está mais apertado do que o comum, tem mil fatores envolvidos. Mas a bola não pode rolar em situações.

Vergonha é uma partida ser paralisada em quatro oportunidades diferentes por causa do gás lacrimogênio usado pela polícia para conter os manifestantes e levado pelo vento para dentro do estádio Romelio Martínez. Os jogadores que se danem, afinal precisaram tentar jogar futebol mesmo sem condições. Impossível abrir os olhos, a garganta seca e irritada. Bombas estourando, gritos, tiros!

Vergonha é o árbitro Andrés Cunha-URU não interromper a partida. Claramente a mando de alguém que estava fora do campo, como o delegado responsável pelo jogo. Ou talvez até mesmo ordem de algum dirigente que nem sequer está no estádio. Os 45 minutos iniciais se tornaram 60, com quatro interrupções.

Vergonha é a Conmebol deixar que uma partida da Libertadores rode o mundo com os jogadores dos dois times parados dentro de campo, aguardando o encerramento da etapa inicial. De maneira acertada os atletas decidiram não jogar os últimos dois minutos, como insistia o árbitro uruguaio.

Enquanto se tentou jogar futebol, América e Atlético empatavam em 1 a 1. Por tudo o que envolveu a partida antes e durante, é impossível fazer qualquer tipo de análise. Estou a mais de 7 mil quilômetros de distância do local da partida. Então, quem sou para falar que tal jogador foi mal? Eu não vou faltar com respeito para quem estava no estádio e sentiu na pele, nos olhos e nas vias respiratórias.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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