Blog do Victão

Sem facilidade do Mineiro ou a motivação do clássico, Cruzeiro encontra a realidade da Série B

Vitor Jacaré superou o goleiro Rafael Cabral duas vezes (Divulgação/Bahia)

Desde o rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro, em 2019, o Cruzeiro faz o seu melhor começo de temporada. Foi finalista do Campeonato Mineiro com uma campanha sem sustos, ao contrário do que aconteceu nos anos anteriores. A Raposa também está na 3ª fase da Copa do Brasil, após passar sem dificuldades por Sergipe e Tuntum-MA. Mais do que os resultados, o desempenho em campo é animador.

É uma equipe que se mostrou intensa, por vezes correndo mais do que jogando, mas com um futebol agradável de se ver. Foi com esse ímpeto ofensivo que o Cruzeiro bateu a equipes do interior do estado e encarou os clássicos com América e Atlético. Antes que alguém argumente que a Raposa perdeu os duelos para os rivais, destaco que a análise não é sobre o resultados, mas sobre o desempenho. Diante da diferença técnica que tem para Coelho e Galo, o time celeste se apresentou bem nos três clássicos que disputou em 2022.

Também não tem como deixar de lado o efeito Ronaldo. A chegada do Fenômeno renovou as esperanças da torcida, que esteve cabisbaixa por mais de dois anos. O cruzeirense voltou a ter orgulho do time, do clube ele jamais perdeu, mas o futebol voltou a dar alegrias. O futebol voltou a ser um prazer para os torcedores da equipe estrelada.

Portanto, motivos não faltavam para acreditar que o Cruzeiro de 2022 é e será diferente do que foram os times de 2020 e 2021. Como bem definiu o fotógrafo e cruzeirense Dudu Macedo, nesta temporada o torcedor acredita no acesso pelo futebol apresentado, não apenas pelo simples fato de ser torcedor.

Chegou a Série B

Todo o trabalho feito por Ronaldo, Paulo André, Pedro Martins, Paulo Pezzolano e demais pessoas envolvidas no futebol foram visando a Série B. O acesso não é prioridade, não é luxo, não é sonho. O acesso é obrigação para a atual gestão celeste. E então chegou a Série B, uma estreia difícil, diante do Bahia, um dos seis campeões brasileiros que estão na Segunda Divisão. O jogo disputado na Fonte Nova colocou o Cruzeiro frente a frente com a própria realidade.

Afinal, agora não existe mais mais a moleza de pegar as equipes do interior e tampouco a mobilização para os clássicos. Ou seja, o Mineiro foi importante na formatação da equipe e na retomada da confiança dos cruzeirenses, mas na Série B o buraco é mais embaixo.

Logo na primeira rodada o Cruzeiro a realidade apareceu na forma mais dura para o Cruzeiro, e o Bahia venceu por 2 a 0, com gols de Vitor Jacaré, ambos no segundo tempo. A derrota faz parte do jogo, e como citei para os clássicos, vale o mesmo agora: não é uma análise do resultado, mas do desempenho. E o desempenho cruzeirense deixou a desejar na Fonte Nova.

O jogo em Salvador não foi um alerta, foi apenas um aviso: os 14 jogos do Mineiro estão no passado, o que a equipe de Pezzolano encontrou diante do Bahia é o que vai encontrar nas próximas 37 rodadas da Série B. E será preciso dar um passo adiante. Seja na qualificação do elenco ou na correção de problemas coletivos. Enfim, o que o Cruzeiro mostrou em 2022 é bom, mas para subir será preciso fazer mais.

Mas como a Raposa já avançou alguns quilômetros desde dezembro de 2021, não há motivos para duvidar de que o time terá a evolução necessária para conseguir o acesso.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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