Blog do Victão

Deu Galo! Mas Atlético e América deixaram a desejar e faltou futebol na final do Mineiro

Atlético venceu o Mineiro pela 46ª vez (Agência i7/Mineirão)

Deu a lógica em Minas Gerais. O Atlético foi campeão mineiro. O time de maior investimento no estado entrou com o status de grande favorito e confirmou isso dentro de campo. Um novo 0 a 0, dessa vez no Mineirão, e o 46º título estadual do Galo.

Certamente o torcedor está feliz agora. Vale a zoação nos grupos de WhatsApp, em casa, com vizinhos e amigos. Título é título.

Mas minha obrigação é ir mais além, é analisar e opinar sobre o que vejo em campo. E o que vi, novamente, foi uma partida muito ruim. É verdade que foi um pouco melhor do que o confronto da semana anterior, que também terminou empatado sem gols. Mas a verdade é que Atlético e América ficaram devendo futebol na final do Mineiro.

Inegavelmente são as duas melhores equipes do estados. Os dois clubes que estão na Série A do Campeonato Brasileiro. O Galo vem de uma 3ª colocação no Brasileirão de 2020 e é líder geral da fase de grupos da Copa Libertadores. Enquanto o Coelho subiu na temporada passada e foi semifinalista da Copa do Brasil.

Apesar da maratona de jogos, com um compromisso a cada três dias, o Atlético preservou os titulares diante do Cerro. O América teve a semana inteira livre para treinar, com a remarcação do duelo com o Criciúma, pela Copa do Brasil. O gramado do Mineirão é ótimo. Não estava calor, não estava frio e nem com muita chuva.

Todas as circunstâncias eram favoráveis para um grande duelo.

Jogo decepcionante

Na semana passada eu entendi as posturas de América e Atlético. O Coelho não queria ver o Galo aumentar a vantagem. Conseguiu levar a decisão para o jogo final, diante de um time muito superior tecnicamente. Já o Alvinegro vinha de uma partida atípica na Colômbia. Portanto, compreensível a falta de futebol na semana passada.

Eu esperava mais neste sábado. Atlético e América tinham condições de entregar mais, no entanto não o fizeram. Ou não conseguiram. O time de Lisca mostrou sua qualidade tática. Mostrou que é de longe a equipe de futebol mais organizada do futebol mineiro e dificultou bastante para o rival, principalmente com a marcação na saída de bola.

Mas não tem os talentos que estão à disposição de Cuca. Algo que ficou nítido no duelo entre eles na primeira fase. Aliás, aquele clássico foi muito melhor do que as finais.

O Atlético está evoluindo. Mudando bastante a maneira de jogar em relação ao time da temporada passada. A defesa tem se mostrado mais segura do que antes. Portanto, quando digo que o trabalho de Lisca é o melhor em Minas, não é desmerecendo o Cuca. É apenas constatando o tempo em que cada um está no cargo.

Rabello de um lado e Cavichioli do outro

Por parecer curioso que numa partida que faltou futebol os melhores de cada lado sejam um goleiro e um zagueiro. Matheus Cavichioli fez duas grandes defesas na etapa inicial, nas tentativas de Igor Rabello e Nacho Fernández. Ali o camisa 1 do América manteve sua equipe viva na disputa.

Uma pena que o Galo ficou nisso. E foi aí que apareceu Igor Rabello. Não só por ser protagonista nos dois lances mais polêmicos do clássico, que abordei aqui, mas por ser o dono da defesa alvinegra. Junior Alonso é o mais badalado, mas foi Igor Rabello quem se destacou. Rebatidas, carrinhos, bola área. Enfim, uma das melhores dele desde que chegou ao Atlético, em 2019.

Futuro promissor

Faltou futebol para o Atlético. Faltou futebol para o América. Mas nem tudo é ruim. Pois não não falta qualidade para as duas equipes. Tanto Galo quanto Coelho já mostraram em outras ocasiões que são capazes de jogar mais bola do que jogaram neste sábado.

Estamos em maio e tem muita coisa para acontecer até o fim da temporada. Por isso, atleticanos e americanos podem ficar confiantes. É possível que 2021 seja de outros bons resultados para os dois clubes. Mas é necessário que joguem o futebol ficaram devendo na final do Mineiro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.