Blog do Victão

Atlético fez história na Libertadores na última década. Mas faltou algo: enfrentar Boca ou River

O Atlético entrou para a história da Copa Libertadores. Assim pode ser definida a década passada do Galo no torneio. Até 2013 foram somente quatro participações (1972, 1978, 1981 e 2000) e o momento de maior destaque era o polêmico jogo desempate com o Flamengo, em 81, no Serra Dourada.

Mas, desde 2013, o atleticano tem muito mais o que falar sobre a Libertadores. Ele se tornou íntimo da competição. Trata a Copa como “minha”.

Afinal, o Galo foi campeão. Um elenco que tinha Ronaldinho Gaúcho. Teve Victor se transformando em santo. Momentos históricos e inesquecíveis. O Atlético participou de seis das últimas oito edições. Foram 58 jogos disputados no período. Contra 33 até então.

No entanto, faltou uma coisa para a trajetória alvinegra ser completa na década passada. Faltou enfrentar Boca Juniors ou River Plate. Gostem ou não, os dois gigantes argentinos são os mais tradicionais times de futebol do continente. São sinônimo de Libertadores. Superar Boca ou River é quase como uma prova de honra.

Com título ou sem título. As vitórias sobre Boca ou River são sempre exaltadas. Ficam na memória. Entram na galeria dos grandes momentos do clube. Quem não se lembra da triunfo do Paysandu sobre o Boca? Em plena La Bombonera. Ou da semifinal que o Fluminense superou o time xeneize?

Melhor ainda quando vem com o título. Algo que os torcedores do Flamengo e do Palmeiras porém falar em relação ao River Plate. O Rubro-Negro numa vitória de cinema, nos minutos finais, na decisão de 2019. O Verde em duas semifinais, em 1999 e 2020.

Cruzeiro de 1976, Vasco de 1998, São Paulo de 2005, Corinthians de 2012… Enfim, exemplos não faltam.

O Galo teve grandes confrontos nas participações recentes. São Paulo, Atlético Nacional, Cerro Porteño, Olímpia, Racing e outros tradicionais times sul-americanos. Mas faltou esse duelo com Boca e River. Mas quem sabe não chegou o momento?

Atlético está no pote 2

O Atlético não será cabeça de chave nesta edição da Libertadores. O novo ranking da Conmebol, que agora leva em consideração também os resultados da Copa Sul-Americana, mostra o Galo na 19ª colocação.

Sem um passado de sucesso no torneio, o clube mineiro depende muito de bons resultados recentes para se estabelecer entre os primeiros do ranking. Como aconteceu entre 2016 e 2019, quando figurou entre os dez primeiros colocados. Mas o Atlético caiu na fase de grupos em 19 e nem sequer participou no ano passado.

O que imediatamente coloca um desafio de peso para o Atlético. River Plate, Boca Juniors, Nacional, Cerro Porteño e Olímpia. O Galo estará no grupo de um desses cinco times. Por regra, times do mesmo país não podem se enfrentar na fase de grupos (com exceção daqueles que disputam as fases preliminares do torneio).

Razão pela qual o Atlético não pode ser sorteado para os grupos do Palmeiras, do Flamengo ou do São Paulo, que são cabeças de chave.

A semifinal de 1978

Apesar de não ter confrontos recentes com Boca Juniors e River Plate, o Atlético tem uma curiosidade bastante peculiar na sua história na Libertadores. O Galo enfrentou os dois gigantes argentinos na semifinal de 1978. Confuso, né? Mas eu explico.

Ao longo dos anos a Libertadores teve formatos diferentes. Em 78, por exemplo, era disputada por 21 clubes. Foram 20 clubes divididos em cinco grupos com quatro praticantes. Apenas os melhores de cada chave avançavam, juntando-se ao Boca, já na semifinal por ser o campeão de 1977 – final essa vencida sobre o Cruzeiro.

Os seis semifinalistas eram divididos em dois grupos de três times. Digamos que o Atlético teve a felicidade de cair ao lado do Boca (atual campeão) e do River (vice dois anos antes, derrotado pelo Cruzeiro).

Mas o grande time que o Atlético tinha na ocasião, vice-campeão invicto na temporada anterior, não foi suficiente para enfrentar os argentinos. O Galo perdeu três jogos e venceu um. O único triunfo foi sobre o River, por 1 a 0, no Mineirão. Mas aquela campanha rendeu a 5ª colocação e até hoje só foi superado por 2013, ano do título.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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jeronimo carvalho

Sempre acham alguma coisa faltando para o Galo ne