Blog do Victão

Atlético chega à semifinal da Copa do Brasil sem sofrer. Nem parece o Galo que a torcida conhece

Atlético está na semifinal da Copa do Brasil pela quinta vez (Pedro Souza/Atlético)

“Se não é sofrido, não é Galo”.

Por quantas vezes o torcedor do Atlético não usou a expressão acima para descrever uma partida qualquer ou, principalmente, uma classificação na raça? Como não lembrar da campanha da Copa do Brasil de 2014, no título conquistado com viradas históricas sobre Corinthians e Flamengo? Por duas vezes o Galo saiu do 0 a 3 para fazer 4 a 3, no placar agregado. Em 2016, na última vez que o clube mineiro havia chegado à semifinal, a caminhada também foi de muito sofrimento. Empate com a Ponte Preta nos minutos finais e vitória sobre o Juventude na disputa de pênaltis.

Mas, desta vez, está diferente. Está muito diferente. O Atlético bateu o Fluminense por 1 a 0, com gol de Hulk, e se colocou entre os quatro melhores da Copa do Brasil pela quinta vez na história. O Galo bateu o rival tricolor duas vezes. No Rio de Janeiro, por 2 a 1, e em Belo Horizonte, por 1 a 0. Uma caminhada que até o momento é muito tranquila. Teve um susto diante do Bahia, mas jamais o Atlético teve de buscar um gol para evitar a eliminação.

Aquele velho Galo, de ganhar na base do sofrimento, de ter de brigar bastante por cada conquista, parece ter ficado no passado. Os atuais dirigentes fazem questão de dizer que é um novo Atlético, sempre destacando o lado administrativo. Mas em campo esse Atlético de 2021 também tem se mostrado um novo time. Está em mais uma semifinal, também está entre os quatro melhores da Copa Libertadores, e é o líder do Campeonato Brasileiro.

Mas que o torcedor não se iluda com o momento. Que aproveite cada minuto desta fase de triunfos tranquilos, mas tenha a ciência que daqui para frente os jogos tendem a ficar cada vez mais difíceis, em todas as disputas. Certamente o atleticano terá momentos de sofrimento, mas o atleticano tem a tranquilidade de saber que também tem um time capaz de superar todos obstáculos que estão por vir.

Em ritmo de jogo-treino

Samuel Xavier e Danilo Barcelos foram os laterais do Fluminense nesta quarta-feira. Dois jogadores que passaram pela Cidade do Galo há alguns anos e não deixaram saudades. Isso dá a dimensão de como Atlético e Fluminense estão em prateleiras diferentes neste momento. E ficou nítido em campo. Foram mais 180 minutos de futebol, no Nilton Santos e no Mineirão, e em nenhum desses minutos o Tricolor deu mostra de que seria capaz de superar o Galo.

E realmente não foi, mas não por demérito da equipe carioca, que foi valente nas duas partidas e usou o que podia diante de um dos times mais poderosos do futebol sul-americana. Não é fácil bater o Atlético montado por Cuca, ainda mais quando o primeiro jogo terminou com vitória atleticana por 2 a 1.

Minha sensação é de que o Fluminense fez o que podia, inclusive teve uma grande chance com Fred, que parou numa defesa espetacular de Everson. Enquanto o Atlético estava no ritmo de um jogo-treino, jogando futebol sem fazer muita força. Fez o bastante para vencer, com destaque para Diego Costa. O centroavante jogou apenas o segundo tempo e foi o melhor jogador da partida.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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