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Lisca deixou o Doido, assumiu o de Lorenzi e recebeu R$ 300 mil pelo acesso do América

Lisca elevou o patamar do América em 2020 (Mourão Panda/América)

No fim de janeiro do ano passado o América perdeu o técnico Felipe Conceição, contratado pelo Red Bul Bragantino. A diretoria agiu rápido e contratou Lisca, até então apenas o Lisca Doido, marcado por bons trabalhos, sempre emergenciais, e pelo temperamento forte. Quase um ano depois a decisão mostrou-se bastante acertada. Para os dois lados.

O América está de volta à Série A do Brasileiro, depois de bater na trave em 2019. Lisca entregou o resultado desejado e como prêmio recebeu R$ 300 mil pelo acesso do Coelho. Mas o treinador ganhou muito mais do que dinheiro. Ganhou projeção e, principalmente, o respeito por ser um ótimo técnico, não um maluco à beira do gramado.

Quando aceitou a oferta do América, Lisca tinha dois objetivos pessoais em mente. Provar que não era o técnico-bombeiro, aquele apenas para salvar equipes do rebaixamento, e também mostrar que tem muito mais conteúdo do que loucura. E ele conseguiu. Alcançou as metas coletivas e vai para a próxima temporada como um treinador renovado, com uma imagem bem diferente daquela que começou 2020.

A partir de agora é Lisca de Lorenzi. O Doido virou apenas uma boa lembrança do passado. O treinador vai adotar um dos sobrenomes, por sugestão da torcida do América, que usou Lisca de Lorenzi em uma faixa e agradou o treinador, como revelado por ele mesmo em entrevista ao programa 98 Futebol Clube, da Rádio 98 FM. Portanto, a partir de agora, é assim que ele será tratado pelo Blog.

Lisca não é visto mais apenas como alguém capaz de salvar equipes do rebaixamento com reações incríveis. O bom time formado por Felipe Conceição ficou ainda melhor nas mãos de Lisca. Uma equipe bastante agradável de ser assistir, dentro da realidade do clube, que era a Série B. O Lisca de Lorenzi provou que é capaz de entregar ótimos trabalhos de longo prazo, com planejamento bem executado e bom futebol.

O treinador já se sente muito à vontade em Belo Horizonte. No fim do ano passado ele deixou um hotel na Região Centro-Sul para morar numa casa perto da Lagoa da Pampulha. A família que estava em Porto Alegre já está com ele na capital mineira. Um indício de que a renovação está próxima.

E Lisca de Lorenzi terá o maior desafio de sua carreira na próxima temporada. Suportar as propostas de outros clubes, como ele fez durante a Série B, mas a partir de agora maiores e mais constantes, e evitar a queda do América. Sempre que jogou a Série A com a regra do rebaixamento em vigor o Coelho caiu.

Adaptado à cidade, feliz no clube e com muita capacidade para fazer sua equipe jogar futebol, Lisca é nome certo para conduzir o América em mais uma jornada. Amigo de Marcus Salum, que pode voltar à presidência do Coelho, Lisca pode até negociar um novo prêmio e conseguir ainda mais do que os R$ 300 mil que recebeu pelo acesso. Ele merece. A torcida do América também.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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