Blog do Victão

Decisão de Rubens Menin e utilização de verba para publicidade afastam MRV do Cruzeiro

MRV está nas mangas da camisa do Atlético (Pedro Souza/Atlético)

Logo após a derrota para do Cruzeiro para o América, por 1 a 0, no Independência, pela 5ª rodada do Mineiro, o cantor Samuel Rosa utilizou uma rede social para demonstrar sua insatisfação com o atual cenário do clube estrelado. Entre as reclamações do vocalista do Skank estava um questionamento sobre o motivo de a MRV não patrocinar a Raposa.

O artista fez uma clara referência à situação do rival Atlético, que hoje conta com o aporte de torcedores milionários, entre eles estão Rubens Menin e Rafael Menin, que são o fundador e o presidente da construtora, respectivamente.

O questionamento de Samuel Rosa é pertinente, afinal de contas é muito comum ver nos uniformes de Raposa e Galo a marca de um patrocinador em comum. Isso vem desde o final dos anos 1980, quando a Coca-Cola esteve presente nas camisas dos dois clubes.

Fiat, BMG, Vilma Alimentos, Tim, Auto Truck, Cemil, Ortopride, Supermarcados BH e diversas outras empresas já estiveram ou estão patrocinando Atlético e Cruzeiro simultaneamente. Mas não é o caso da MRV, que desde 2004 só se ausentou do uniforme alvinegro em 2008, 2009 e 2010.

As justificativas

Dois pontos explicam essa relação da empresa minera apenas com o Galo. O principal delas é a família Menin. Rubens e Rafael são conselheiros do clube alvinegro e integrantes do “Colegiado”, como é chamado o grupo de mecenas que mudou o rumo do Atlético desde o fim de fevereiro do ano passado.

Inclusive, Rubens Menin já declarou que a MRV não vai patrocinar o Cruzeiro. “Eu descarto patrocinar o Cruzeiro hoje”, disse o empresário atleticano durante uma entrevista para o jornalista Jorge Nicola, no Canal do Nicola, no Youtube, no ano passado.

Além disso, tem o posicionamento da empresa no mercado. A MRV destina anualmente uma verba para patrocinar o esporte, não apenas o futebol. A construtora já esteve no vôlei e também é parceira do piloto Sérgio Sette Câmara Filho, que compete na Fórmula E.

Por operar em todo o Brasil e até mesmo no exterior, a MRV patrocina os clubes de acordo com a região, evitando usar o dinheiro da verba de publicidade em apenas um lugar. Tanto que a empresa já esteve nas camisas de Fortaleza e Bahia, mas não nos uniformes dos rivais Ceará e Vitória, respectivamente. A construtora já patrocinou Vasco e Flamengo, mas cada um em momentos diferentes.

América foi exceção por negócio que foi além do patrocínio

Apesar de evitar patrocinar dois clubes de uma mesma cidade, a MRV já esteve na camisa do América em alguns anos da última década. E a explicação está numa troca de terrenos entre clube e empresa. O América conseguiu uma área para ampliar o CT Lanna Drumond e ainda pegar parte do dinheiro para custear a obrar.

Em troca o clube cedeu um terreno no bairro Três Barras, em Contagem. No espaço que era ocupado por um campo de futebol está em construção um condomínio que terá 496 apartamentos, de acordo com o projeto inicial. Segundo o site da MRV as obras estão 47% concluídas. Ficou acertado também que o América tem direito de receber uma quantia por cada imóvel vendido.

Atlético recebe valor de mercado

Pelo fato de Rubens Menin, fundador da MRV, e Rafael Menin, presidente da empresa, atuarem diretamente na reestruturação do Atlético, a marca é automaticamente ligada ao clube quando chega qualquer nome de impacto. Ainda mais por seguir na camisa do Galo. Atualmente ocupa os espaços nas mangas do uniforme.

Mas não é da conta da empresa que sai o dinheiro que bancou as contratações de jogadores caros, como Hulk, Nacho Fernández, Vargas, Zaracho, Alan Franco, Júnior Alonso e muitos outros que chegaram à Cidade do Galo nos últimos 12 meses. A grana é dos empresários, é um empréstimo do clube com a pessoa física.

O dinheiro da MRV que entra no Atlético é via patrocínio e gira na casa de R$ 4 milhões por ano. É o valor de mercado do espaço na camisa atleticana. A empresa não paga ao Galo muito ao mais do que precisaria pagar, diferentemente do que faz a Crefisa com o Palmeiras.

Como efeito de comparação: o Flamengo recebia aproximadamente quatro vezes mais do que o Atlético. O clube carioca estampava a marca da construtora nas costas da camisa, acima do número.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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