Blog do Victão

Participação das mulheres nos rumos de Atlético e Cruzeiro é quase nula: nem 5% dos conselhos

Torcedores de Cruzeiro e Atlético num clássico disputado no Mineirão (Agência i7/Mineirão)

Dia Internacional da Mulher. Certamente muitos clubes vão postar belas mensagens, incentivar campanhas contra o machismo, contra o feminicídio, defender a igualdade das mulheres e também ressaltar suas torcedoras. Tudo válido. Mas, de fato, quantos clubes realmente querem a participação feminina no dia a dia?

Um bom exemplo está na formação dos Conselhos Deliberativos dos clubes de futebol. Neste texto, as situações de Atlético e Cruzeiro. Embora sejam equipes com milhões de torcedores, a representatividade das mulheres nos grupos que realmente dão as cartas dentro dos clubes de futebol é praticamente nula.

De acordo com uma pesquisa do Datafolha, de 2019, 71% das mulheres torcem para algum time de futebol. Por aí já é possível dimensionar o tamanho das torcidas femininas de Raposa e Galo. Porém, as conselheiras não são nem 5% nos dois clubes.

No caso atleticano é mais fácil constatar. Dos 371 nomes da lista de conselheiros que está disponível no site do Atlético, apenas 14 são mulheres.

Só para ter uma noção da falta de representatividade feminina no Conselho Deliberativo do Atlético: de acordo com um estudo feito pela Pluri Consultoria e divulgado em 2019, as mulheres representam 41,9% da Massa Atleticana. A participação feminina no Galo na Veia (programa de sócio-torcedor do Atlético) está na casa de 15%, bem abaixo do número geral, mas cerca de quatro vezes mais do que no Conselho.

A situação não é muito diferente no Cruzeiro. No entanto, na Raposa, não há uma lista disponibilizada no site oficial desde meados de 2019, depois da reportagem exibida pelo Fantástico, da Rede Globo, sobre algumas irregularidades da antiga gestão, encabeçada pelo ex-presidente Wagner Pires de Sá.

Mas é possível ter uma noção da participação feminina no Conselho Deliberativo do Cruzeiro a partir da eleição de conselheiros que aconteceu em janeiro. O ge divulgou a lista dos 220 conselheiros efetivos eleitos e apenas sete são mulheres. Uma fonte garantiu ao Blog que a situação não é muito diferente no geral.

É pouquíssima ou quase nenhuma representatividade, considerando que a China Azul tem 43,9% de mulheres.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Carlos Bernardo M. Alves

Alguém acha que a falta de participação delas é questão de preconceito ou é uma mera questão de falta de interesse? Vejam o exemplo atuante da Adriana Branco no Galo …

Teobaldo

O mercado da indústria da moda é amplamente dominado pelas mulheres. Não existem homens que ganhem próximo do que ganha, por exemplo, Gisele Budchen, mas nem por isso ninguém fica reclamando. Acho natural que homens dominem algumas atividades, enquanto outras sejam dominadas por mulheres.

Sr-Sra Neumann

Perfeita a sua colocação.

Honneur Monção

Pelo contrário! Acho que a Gisele deveria ganhar mais, muuuiiiitttooo mais….

Moacir Schmidt

No dia em que vocês acabarem com esta lacração insuportável farão mais pelas mulheres do que mil militantes extremistas

Cleyder

A questão da mulheres virou oportunidade de negócio, de projeção pessoal e profissional. Fica difícil saber se o Victão, Uai… vivenciam, realmente, a coerência diária no tocante ao movimento raiz da mulheres no Brasil. O problema existe, mas oportunistas também!!! Tomara que o Blog não seja mais um…

Honneur Monção

Não basta reclamar; é preciso participar EFETIVAMENTE para ter voz ativa e exercer função diretiva. Se embonecar e posar para a imprensa não é suficiente…