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Dez anos do pênalti de Gil em Ronaldo. Com o VAR seria diferente? Ricci não mudou de opinião

Sandro Meira Ricci durante Corinthians x Cruzeiro, em 2010 (Nelson Atoine/Foto Arena/AE. SP)

Duelo pela 35ª rodada do Campeonato Brasileiro entre o vice-líder e o terceiro colocado, ambos com 60 pontos, apenas um atrás do ponteiro. Mais de 35 mil pessoas no Pacaembu para acompanhar uma partida com peso de final. Em jogo estava a liderança provisória a três rodadas do fim da competição, já que o primeiro colocado entraria em campo apenas no dia seguinte. Assim era o cenário para Corinthians x Cruzeiro em 13 de novembro de 2010. No fim, triunfo paulista por 1 a 0, com gol de Ronaldo. Gol numa cobrança de pênalti que é contestada até hoje pelos cruzeirenses.

O resultado daquela noite em São Paulo foi determinante para a Raposa, que terminou o Brasileirão dois pontos atrás do campeão Fluminense. Motivo pelo qual o ex-árbitro Sandro Meira Ricci se tornou persona non grata entre os torcedores do Cruzeiro. Mais do que o pênalti que assinalou de Gil em cima de Ronaldo, muitos cruzeirenses reclamam de outros lances da partida, como impedimentos mal marcados e faltas invertidas.

Em 2010 ainda não era possível contar com o ajuda do VAR (o árbitro de vídeo), no entanto, a decisão de Sandro Meira Ricci não seria diferente. Em entrevista ao programa ‘Bolívia Talk Show‘, do canal ‘Desimpedidos‘, no Youtube, o agora comentarista da Globo falou daquele jogo e manteve sua decisão de que o zagueiro cruzeirense fez falta.

“Foi pênalti, foi, foi. Foi um tranco por trás”, disse Ricci. “Até hoje tem esse trauma. Foi o jogo mais difícil da minha carreira, Corinthians x Cruzeiro em 2010”.

Árbitro brasileiro em duas Copas do Mundo, Sandro Meira Ricci ficará para sempre na memória dos cruzeirenses que acompanharam aquela partida com o Corinthians e possivelmente das gerações seguintes. Ainda na entrevista concedida em 2018, ele falou sobre a bronca dos torcedores da Raposa. “Isso é do torcedor, tem que respeitar. Mas aconteceu algo nesse jogo que foi muito ruim: em quatro lances de área para o Cruzeiro, eu interpretei que nenhum foi pênalti. E em um lance de área para o Corinthians, eu interpretei que foi. Então o torcedor não entende isso”.

Fabrício abandonou o campo e Cuca socou a mesa

Volante do Cruzeiro entre 2008 e 2011, Fabrício foi um dos mais exaltados após a marcação do pênalti em Ronaldo. De tanto reclamar ele foi amarelado por Sandro Meira Ricci. Irritado, o jogador cruzeirense deixou o gramado e foi para o vestiário do Pacaembu, antes do término da partida. A Raposa tinha mais uma alteração e o atacante Wallyson entrou.

“Foi o contexto. Um pênalti não revolta ninguém daquela maneira. O pênalti é até discutível. Para nós não ia ser. Lá dentro, Pacaembu, pressão da torcida… Durante a partida o que me deixou chateado foi falta invertida, falta que não é dada, os pesos diferentes. Não é só aquele lance em si”, explicou Fabrício, que ficou uma semana sem dar entrevistas por determinação da diretoria celeste. “Foi uma decisão tomada aí, até porque essa revolta demorou alguns dias para baixar. Foi uma decisão da diretoria para não haver mais polêmica. Eles estão tomando as atitudes necessárias, e nós jogadores temos de vir trabalhar. Por isso, deu esse tempo para baixar a poeira”, completou.

Outro que mostrou toda a sua indignação foi o técnico Cuca. O treinador do Cruzeiro em 2010 foi para a coletiva pós-jogo bastante irritado e chegou a socar a mesa durante a entrevista. “É a maior decepção que eu já tive como treinador. Ele detonou todo um trabalho. É vergonhoso. Essas coisas fazem a gente repensar em continuar na profissão”.

Passados dez anos, qual a sua opinião? Foi pênalti ou não foi? O fato é que esse Corinthians x Cruzeiro está na história como um jogos mais polêmicos do futebol brasileiro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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