Blog do Victão

CEO da Arena MRV diz que orçamento não está fechado. “Precisa captar recursos lá na frente”

Bruno Muzzi, CEO da Arena MRV, mostra para Ronaldinho como será um camarote (Bruno Cantini/Atlético)

Em setembro de 2017 o conselho deliberativo do Atlético aprovou a venda de metade de um shopping, localizado na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, para viabilizar a construção do estádio do clube. Naquela época a obra estava orçada em R$ 410 milhões e a origem dos recursos estava definida. Em pouco tempo o Galo teria um estádio sem tirar dinheiro do futebol e totalmente pago. Pouco mais de três anos depois e com a construção em andamento o cenário mudou um pouco.

O orçamento de R$ 410 milhões já não vale mais. Esse valor o Atlético levantaria com a venda do shopping (R$ 250 milhões), venda de cadeiras e camarotes (R$ 150 milhões) e naming rigths (R$ 60 milhões). O dinheiro era mais do que suficiente. Porém, com o início da obra quase dois anos depois do que era o desejado, a inflação do período, a desvalorização do Real e, principalmente, as contrapartidas exigidas pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) elevaram o custo da obra do estádio.

Na última previsão o custo final da construção estava estimado em R$ 560 milhões. Valor esse que pode ser maior, ou até mesmo ser reduzido, já que o orçamento de algumas obras viárias exigidas pela PBH ainda estão na fase de projeto e nem sequer foram orçadas. Em entrevista exclusiva ao Blog, o CEO da Arena MRV, Bruno Muzzi, revelou que o ritmo das obras está normal, mas que no futuro será preciso levantar dinheiro para não atrasar a inauguração, prevista para outubro de 2022. “Não sabemos ainda quanto mais a gente precisa captar recursos lá na frente”.

A diferença entre o orçado em 2017 e o custo final da obra será viabilizado com a própria Arena MRV. Vendas de cadeiras e camarotes podem superar a marca de R$ 200 milhões, assim como é possível levantar dinheiro em contratos com futuros parceiros, como exploração de alimentação e bebidas do estádio. Além disso, o dinheiro da venda do shopping teve correção nos últimos anos e chegou perto de R$ 300 milhões.

Confira abaixo a entrevista completa de Bruno Muzzi, CEO da Arena MRV.

Ritmo da obra

O ritmo das obras está dentro do planejado, ele acelera e desacelera de acordo com as circunstâncias. O cronograma, com a visão de hoje, está mantido para outubro de 2022. As chuvas impactam, mas o cronograma foi feito pensando nas chuvas. Se as chuvas forem dentro de uma média histórica, tudo segue normal. Mas se for muito intensa, acima da média, aí o ritmo da construção sofrerá impacto. Vamos tentando contornar com ações paralelas. Atualmente estamos com 88% de terraplanagem concluída, era para estar 100%. Não estamos, no entanto, a gente já adiantou as fundações da Arena, com diversas estacas. Isso permite que a gente mantenha cronograma, mesmo sem estar com a terraplanagem finalizada. E no início de janeiro já devemos começar a montar alguns pilares.

Estrutura do estádio

Em janeiro a gente começa a montar os primeiros pilares. A partir de fevereiro a gente deve acelerar com a montagem de mais pilares e em março já começa com a montagem de um esqueleto de metade dessa arena. De acordo com o cronograma são de 12 meses para montar toda a estrutura. Então, se a gente começar em janeiro, no fim do ano estaria com toda a estrutura montada. Só para dar uma dimensão das próximas etapas.

Venda de cadeiras e camarotes

A venda dos camarotes foi um sucesso total. Temos apenas seis camarotes e já estamos trabalhando (para vender). A venda das cadeiras está dentro da expectativa. E sobre as cadeiras cativas a gente deve encerrar talvez nos próximos dois meses a venda deste lote. Ainda não temos uma data definida, mas será em breve, assim que a gente atingir uma meta nossa nossa, uma meta interna. Quem tiver que comprar que acelere a compra com as condições atuais. Hoje temos diversas condições, mas daqui dois ou três meses essas condições serão diferentes. Esse recurso está sendo importantíssimo para a gente dar sequência na obra, pois ainda precisamos de outros recursos. O excesso de contrapartidas, especialmente os custos das obras viárias, tem onerado bastante.

Orçamento não fechado

A gente ainda não está com o orçamento do viário todo fechado. Temos apenas do entorno, que depende apenas da aprovação da prefeitura. Isso já está orçado. Sobre o restante das obras viárias, os projetos ainda estão em discussão com a BHTrans, sobre o que precisa ser implantado. Como ainda está na fase do projeto, primeiro é preciso fechar, bater o martelo, aí sim vamos ter um orçamento. Enquanto isso, não sabemos ainda quanto mais a gente precisa captar recursos lá na frente.

Futuros parceiros

Ainda não temos nenhum contrato fechado. Estamos em conversas com diversos fornecedores, para diversas áreas. Não é o momento de fechar ainda, mas já soltamos no mercado algumas requisições de informação. É algo que deve evoluir no próximo ano, inclusive com a formulação de contratos.  

Alimentação e bebidas

Vai ser bem mais a cara de estádio mesmo, não temos o espaço de praça de alimentação. Teremos os bares e a exploração do serviço de alimentação que é entregue nos camarotes e lounge. E aí temos vários modelos de negócio. Tem como no Mineirão, que são cinco empresas diferentes que exploram, tem como no Palmeiras, que todo o serviço é feito por apenas uma empresa. No Corinthians e no Grêmio são diversas empresas. Então a gente vai definir o que é melhor. Ter uma ou duas empresas, o que facilita o controle de higiene, de faturamento e controle de qualidade. Ou se será um ambiente mais pulverizado, que dificulta um pouco mais essa questão de controlar tudo. Nós temos de ver os prós e contra de cada um antes da decisão final.

Contato com produtoras musicais

A gente já começou a conversar com alguns produtores, para pensar num calendário de inauguração da Arena. A questão dos shows é bastante específica, pois é difícil fechar essa agente com tanta antecedência, principalmente se for uma atração internacional. Se você fecha com um artista internacional com antecedência o preço será muito caro. O correto é esperar por alguma turnê mais próxima do período de inauguração, isso facilita tudo e deixa bem mais barato.

Emoção no dia da inauguração

Costumo recebe essa pergunta e não paro muito para pensar. Vou me emocionar se parar para pensar nisso. Mas tem tantas etapas ainda, então eu confesso que vou trabalhando no curto prazo. Vou deixar emoção para quando tudo estiver pronto.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Dorival Cunha

Prezado, voce sendo um bom reporter poderia fazer um comparativo entre utilizar o Mineirão e gastar uma fortuna pra construir estádio. O aluguel do Mineirão custa entre 800 mil e 1 milhão por mes aos clubes,10 milhoes por ano (?). O custo da Arena MRV 600 milhoes … isso significa 60 anos de aluguel. Vale a pena ? O Palmeiras tem estádio, mas se não fosse o patrocínio da Crefisa estaria com um time mediano. Em 2037 acaba o contrato do Estado com a Minas Arena … quem irá administrar o estádio ? Ficaria para o Cruzeiro ?

Marcio Junio

Mas vc está olhando os custos, sem pensar nas entradas, que na visão mais pessimista não chega a dez anos pra já pagar a obra, a efeitos contábeis porque não vai haver uma dívida de fato, então compensa sim.